
Dados Técnicos
País de Origem: Portugal (Estaleiro Real de Damão, Estado da Índia).
Tipo: Fragata/Navio Escola.
Guarnição: 145 elementos.
Deslocamento: x.xxx toneladas (máximo) 1.849 toneladas (padrão).
Dimensões: comprimento 83,40 metros; boca 12,80 metros; calado 12,19 metros; pontal 7,07 metros.
Propulsão: a vento (4 mastros com superfície total do velame de 2.052,21 m2.
Possibilidades: velocidade (máxima/cruzeiro) xx/xx nós .
Autonomia: 90 dias.
Armamento: 50x peças de calibre 32 (ver texto).
Outros equipamentos: n/a.
Unidades
D. FERNANDO II E GLÓRIA (Fragata).
Lançamento à água: 22 de Outubro de 1843.
Aumento ao efectivo: 22 de Outubro de 1843.
Abate ao efectivo: 17 de Agosto de 1931 (ver texto).
D. FERNANDO II E GLÓRIA (Navio Escola).
Aumento ao efectivo: 17 de Agosto de 1931
Abate ao efectivo: 16 de Outubro de 1963 (ver texto).
Historial
A
fragata "D. Fernando II e Glória", foi o último navio exclusivamente à vela
da Marinha Portuguesa, e a última nau, da denominada carreira da Índia.
Em 1821
foi proposto pelo Chefe de Esquadra, Almirante Garcez Palha, ao Rei D.
João VI, a construção de uma nova fragata. Esta proposta viria a ser
aprovada três anos depois, sendo o financiamento suportado pelos
rendimentos do tabaco e alguns subsídios do governo de Macau.
O
seu desenho foi inspirado noutra fragata portuguesa “Duquesa de
Bragança” muito apreciada e elogiada pela Marinha Imperial Britânica,
então no apogeu do poder e do prestígio, e que a copiou construindo
alguns navios iguais. Os estaleiros de Damão foram os escolhidos pelo
facto de a mão-de-obra ali ser mais barata e porque, num enclave que lhe
ficava próximo (Nagar Aveli), existia uma extensa floresta de árvores
de teca, madeira excecional para a construção de navios.
A mastreação, o aparelho e o armamento foram colocados no Arsenal de Goa, sendo que o navio aparelhava em galera com quatro mastros, de vante para a ré: o gurupés, o traquete, o grande e a mezena que, no caso da galera, é designado por "gata" por envergar pano redondo, como nos outros mastros principais.Em
termos de armamento e como fragata, o navio foi construído para ser
equipado com cinquenta peças (vinte e oito na bateria e vinte e dois no convés). No entanto nunca
andou armado como fragata propriamente dita, sendo o armamento em número
inferior e adaptado a cada missão.
A sua viagem inaugural foi de Goa para Lisboa (com dezoito peças calibre 32), a 2 de Fevereiro de 1845, tendo entrado na barra do Tejo, a 4 de Julho desse ano. Tinha como
comandante, o capitão de fragata, Torcato José Marques. O
navio foi batizado com o nome de "D. Fernando II e Glória" em homenagem
a D. Fernando Saxe Coburgo-Gotha, marido da Rainha D. Maria II de
Portugal e à própria, cujo nome era Maria da Glória.
Na primeira viagem oficial transportou para a
Madeira a Imperatriz do Brasil, D. Amélia, 2ª mulher do Imperador D.
Pedro I do Brasil e Rei de Portugal e a princesa sua filha que sofria de
grave doença e procurava restabelecimento naquela ilha, vindo no
entanto a falecer mais tarde.
Durante
33 anos este navio navegou mais de 100.000 milhas náuticas, o
equivalente a cinco voltas ao mundo, tendo efetuado numerosas viagens à
India, Moçambique e Angola para onde transportou unidades militares do
exército e da Marinha ou colonos e degredados, estes muitas vezes
acompanhados de familiares.
De
entre as numerosas missões em viagem destacam-se a participação como
navio chefe de uma força naval na ocupação de Ambriz, em Angola, que em
1855 se revoltara por instigação da Inglaterra, e ainda a participação
na colonização de Huíla, em que, apesar de navio de guerra, teve a
insólita e curiosa missão de transportar ovelhas, cavalos e éguas do
Cabo da Boa Esperança para Angola.
De
referir ainda a 7ª viagem durante a qual e no regresso da Índia para
Moçambique foi atingida por um violentíssimo temporal no canal de
Moçambique, no rescaldo do qual ficou desarvorada, isto é, praticamente
sem mastros nem aparelho vélico, o que a ia fazendo naufragar.
A
última viagem, realizada em 1878, com o navio já retirado da atividade
operacional normal, foi aos Açores e Madeira e teve como objetivo a
instrução de aspirantes de marinha. Neste trajeto o navio socorreu uma
barca americana com fogo a bordo, tendo participado no salvamento.
Em
1865, por Portaria de 12 de Setembro, foi transferida para este navio a Escola Practica de Artilharia Naval, que até então tinha funcionado nau "Vasco da Gama", tendo
funcionado até 1937, por portaria 28:249, de 3 de Dezembro.
A 17 de Agosto de 1931, por portaria n.º 7174 com a mesma data, foi reclassificada como Navio-Escola.
Nesse ano, depois de ter entrado na doca seca
para ser sujeita a reparações, passou a servir de navio chefe dos
navios da Armada, estacionados no porto de Lisboa, conforme determinação
da Portaria nº 9:136 de 30 de Dezembro de 1938.
Em 1943, passou ao estado de desarmamento, pela portaria nº 10:347, de 26 de Fevereiro. Alguns anos mais trade, em 1945, a Portaria nº 10:827 de 9 de Janeiro de 1945, refere que a fragata não
se encontrava em condições de ser utilizada no serviço da marinha e que
a Brigada Naval, em colaboração com o Governador Civil de Lisboa,
pretendiam fundar uma escola para rapazes da rua, onde lhes fosse dada
instrução náutica. Assim, o Ministro da Marinha mandou que o navio fosse
colocado à disposição para servir esse fim.
Em
1948, pela Portaria nº 12:324 de 20 de Março, o navio passou à
disponibilidade, por se ter concluído que o facto que levou ao estado de
desarmamento, não correspondia à situação verificada, e que a fragata
ainda se encontrava em estado de utilidade para o serviço da marinha.
Fundeada no Tejo, foi fortemente afectada por um incêndio que deflagrou a bordo na tarde de 3 de Abril de 1963. Os seus destroços permaneceram encalhados no Mar da Palha durante quase 30 anos. O
navio foi abatido ao efectivo dos navios da Armada, pela
Portaria nº 20 122 de 16 de Outubro de 1963 e Ordem da Armada nº 50 de 23 de Outubro do mesmo ano.
Em 1990, foi celebrado um
protocolo entre a Comissão Nacional para as Comemorações dos
Descobrimentos Portugueses e a Marinha, visando a recuperação do navio,
devendo ficar integrado no Museu de Marinha. Após a sua recuperação,
viria a destinar-se à realização de atividades, cujo objetivo seria o de
divulgar o nome de Portugal, a sua história e cultura.
A 20 de Janeiro de 1992, foram desencalhados e transportados para o Arsenal do Alfeite para serem instalados numa doca flutuante, na qual seguiram para Aveiro (Estaleiros Ria Marine), a fim de ser iniciada a recuperação do casco.
Os trabalhos de recuperação e restauro terminaram em 1998 e a fragata tornou-se um dos ex-libris da Exposição Internacional de Lisboa desse ano (EXPO 98).
Pelo Decreto-Lei n.º 193/81 de 8 de Julho, fica definido a natureza e o estatuto da fragata D. Fernando II e Glória, bem
como a sua inserção na Marinha, dispondo sobre a respectiva dependência,
guarnição e utilização.
Encontra-se
atualmente em doca seca, em Cacilhas e é visitável.
Modelismo
https://www.scalemates.com/topics/topic.php?id=179847.
Fontes
1. https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=28249.
2. COSTA, Adelino Rodrigues, Dicionário de navios & Relação de Efemérides, 2006.
3. https://cultura.marinha.pt/pt/dfernando.
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